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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Zika Vírus: Larvicida não causa Microcefalia

Zika virus não é uma farsa: Tem circulado na rede um texto alarmista afirmando que médicos argentinos da Red Universitária de Ambiente e Salud ( REDUAS) com a Associação Brasileira de Saúde Coletiva ( Abrasco ) "confirmaram" que a causa da zika é o uso do inseticida pyriproxyfen ( Piriproxifeno) e não o mosquito Aedes Aegypiti, formando uma grande confusão. Confusão essa que levou algumas mulheres grávidas a afirmarem - em redes sociais- que não vão mais gastar dinheiro com repelentes.

Essas afirmações bombásticas são perigosas quando jogadas nas redes sociais de forma resumida e alarmista. O internauta comum, que pouca paciência tem para se aprofundar em textos complexos, acaba sendo influenciado por palavras fortes, como "A farsa do zika virus" " Mosquito não causa zika" "larvicida causa microcefalia' e por aí vai .

Zika Virus não é uma Farsa: Larvicida não causa microcefalia

Zika virus não é uma farsa!

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Se existe uma coisa que podemos afirmar com toda certeza, é que o zika virus é transmitido pelo Aedes aegypti, qualquer afirmação contrária a isso é uma mentira, uma ignorância. Inúmeros testes foram feitos no mundo inteiro antes mesmo do zika virus se tornar uma epidemia no Brasil, constando como confirmado na Organização Mundial da Saúde ( OMS). Sim, a OMS confirma que o zika virus é transmissível pelo mosquito, o que a OMS não confirma cautelosamente é que a zika causa microcefalia.

Nem mesmo o texto alarmista da Reduas argentina afirma que o zika virus não é transmitido pelo mosquito da dengue. O texto, que muita gente não teve paciência para ler, preferindo a versão terrorista das redes sociais, tenta apenas desvincular a zika da microcefalia. Em nenhum momento fala sobre a zika não ser transmitida pelo mosquito.

Dito e estando ciente disso, podemos partir para o outro ponto crucial do texto da Reduas, que a zika é causada por larvicida.

É verdade que o Zika não causa Microcefalia?

O texto da Reduas não é um estudo, não é uma pesquisa, é apenas um relatório baseado em "achismos" do tipo "Eu acho que devido a isso, acontece isso".  O texto já demonstra seu caráter informal e errado quando cita de forma equivocada a Abrasco como parte concordante de suas fontes de conjecturas.

Ao ver seu nome ligado a um boato perigoso, a Abrasco se pronunciou informando que o relatório da Reduas foi baseado em uma má interpretação da sua Nota técnica sobre microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti e que em momento algum afirmou que os pesticidas, larvicidas ou outro produto químico sejam responsáveis pelo aumento do número de casos de microcefalia no Brasil. O que a nota da entidade diz é que ela considera perigoso que o controle do mosquito seja feito principalmente com larvicidas.

Os irresponsáveis médicos argentinos, leram essa nota da Abrasco que considera perigoso o uso do larvicida para combate ao Aedes e pensaram, "se acham perigoso é porque o larvicida causa microcefalia"
"É sabido que um cenário de incerteza como este provoca insegurança na população e é terreno fértil para a disseminação de inverdades e de conteúdos sem qualquer (ou suficiente) embasamento científico. A Abrasco repudia tal comportamento, que desrespeita a angústia e o sofrimento das pessoas em situação mais vulnerável, e solicita prudência aos pesquisadores e à imprensa neste grave momento, pois todas as hipóteses devem ser investigadas antes de negá-las ou de confirmá-las".

"Há lugares onde se usa o pyriproxifen e não há casos de microcefalia. E também lugares em que não se usa esse larvicida, mas há muitos casos, como Recife", explica.

"Essa falta de correlação espacial enfraquece a ideia de que o larvicida causaria o problema." afirma o comunicado da Abrasco a BBC.
Como tudo ainda está no campo das pesquisas, a falta de respostas definitivas sobre a natureza dos novos casos de microcefalia no Brasil dá espaço para que teorias com pouca comprovação se espalhem com a ajuda das redes sociais. E isso pode ser catastrófico. Onde já se viu, uma mulher grávida deixar de se proteger ao máximo contra o Aedes só porque leu no Facebook que o Zika é uma farsa e que o problema é a água contaminada com larvicida?

A OMS afirma que ainda não é possível dizer sem sombra de dúvidas a relação de causalidade entre o vírus e a microcefalia. Atenção, a OMS, não diz que não há associação, ela diz que ainda não tem certeza plena. Os pesquisadores brasileiros consideram que a associação já pode ser considerada como real, baseado nas presenças do zika virus no líquido amniótico de grávidas que deram a luz a bebês com microcefalia, na presença do vírus no cérebro de fetos microcefálicos natimortos. E no início de fevereiro, a Fiocruz Pernambuco comprovou que os 12 primeiros bebês examinados no início da epidemia de microcefalia tinham anticorpos para o zika vírus no líquor, o líquido que circula em seu sistema nervoso central.
“Encontramos os anticorpos IGM, que não são passados da mãe para a criança. Isso quer dizer que eles foram produzidos no cérebro da criança infectada pelo vírus. Essa é uma prova inequívoca de que as crianças foram infectadas”.

RS suspende uso de Larvicida por suspeita de microcefalia

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O Secretário de Saúde do Rio Grande do Sul, João Gabbardo dos Reis, afirmou neste sábado (13) em Porto Alegre que suspendeu o uso do larvicida Pyriproxyfen no estado após ter notícias de que a substância poderia ter relação com casos de microcefalia.

De fato teve essa suspensão do uso do larvicida, coisa pudente a ser feita, diante tantos temores populares causados pela "teoria" dos médicos argentinos, e da própria recomendação da Abrasco contra o uso do larvicida para combate do mosquito.

O secretário afirmou que, mesmo sem comprovação de que a substância possa ter alguma relação com casos de microcefalia, determinou que não seja mais usada no estado. "Mesmo que ainda não haja confirmação, só a suspeita nos fez decidir pela suspensão do uso, não podemos correr esse risco", disse Gabbardo.

Muitas pessoas tem usado essa suspensão do uso do larvicida como um indício ou reconhecimento de que ele é o responsável pela microcefalia, mas isso não é verdade.




Colômbia tem mais de 3.000 grávidas e Zero casos de microcefalia

Essa é talvez a afirmação mais usada por conspiracionistas para provarem a tese de que só no Brasil tem microcefalia associada ao zika virus. O que não contam ou escondem é que, o surto na Colômbia começou em Outubro de 2015, isso significa que somente em Maio/Junho de 2016 as autoridades colombianas vão poder saber se houve um aumento no número de nascimentos de bebês com microcefalia.

Isso porque, essa associação de zika e microcefalia só pode ser feita pós parto, após uma bateria de exames. Se os nenéns ainda não nasceram , não há como saber se o bebê com microcefalia tem Zika.

Mas o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, informou que 3.177 gestantes foram diagnosticadas com o vírus no país, mas não há evidências de que o zika tenha causado qualquer malformação nas crianças. E a microcefalia pode ser diagnosticada pela ultrassonografia.

"Só podemos falar com segurança sobre a nossa realidade. A informação foi divulgada, mas ele não detalhou, por exemplo, como detectou a infecção nas gestantes. Aqui nós temos muita dificuldade em todo o processo de comprovação e isso varia de exames caros até a própria sorologia. Não é fácil para a gente, imagino que para eles também haja essa dificuldade. Não dá para saber entender assim sem detalhamentos". explicou a chefe do setor de Infectologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, Ângela Rocha. (diário de Pernambuco)
O que o presidente da Colômbia não informou é como foram feito os testes. Pode-se saber se o nenem tem microcefalia ainda na gravidez, mas a medição pode não ser exata, porque depende da habilidade do profissional, da posição do bebê e da qualidade do equipamento. A microcefalia pode só ficar evidente depois de o bebê nascer. O bebê pode ter um perímetro cefálico normal ao nascer e a cabeça parar de crescer no ritmo esperado nos meses seguintes.

Depois que nasce, ainda assim uma série de exames é necessário para o diagnóstico seguro. Por isso o Brasil tem tantos casos suspeitos e poucos confirmados.

Fica portanto quase uma irresponsabilidade dizer que um feto tem microcefalia, afinal a desenvolvimento do crânio do feto tem muitas variáveis.

Só teremos certezas sobre a Colômbia em Junho deste ano. Então, afirmar que a Colômbia não tem nenhum caso de microcefalia é se precipitar e dar margens a falsas especulações.

Por enquanto na Colômbia o problema tem sido a síndrome de Guillain-Barré, que aumentou assustadoramente, mas as autoridades ainda não estão seguras em associar os caso zika  e síndrome de Guillain-Barré.





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